quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Prejuízos da incredulidade

Todos nós sabemos que aqueles que não crerem para salvação, sofrerão prejuízos eternos. Isto é solene e triste. Entretanto, há outro tipo de incredulidade nas Escrituras que nos surpreende: a incredulidade dos crentes. Eu sei que isto é ilógico e mais parece um paradoxo. Até porque, se alguém é crente, naturalmente ele crê. Mas alguns exemplos nos mostram que é possível ser um servo de Deus, crer em Seu Filho para a salvação e, mesmo assim, não crer nEle para outras áreas da vida. E os prejuízos desta incredulidade são muitos. Veja três exemplos na Palavra de Deus.


a. Moises e Arão – incredulidade diante do poder de Deus

O incidente narrado em Números 20:2-13 descreve a triste ocasião quando Moisés e Arão não creram no Senhor. A nação de Israel havia chegado ao deserto de Zim e, ali, “não havia água para a congregação” (v. 2). Como se tornou comum naqueles anos, o povo começou a murmurar contra Moisés e Arão, cobrando o cumprimento da promessa que os havia tirado do Egito.

Como resposta a esta cobrança, Moisés e Arão se colocaram diante de Deus, e o Senhor lhes respondeu. A ordem do Senhor foi muito clara: “Toma a tua vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água” (v. 8). Eles, porém, fizeram diferente: “Então Moisés levantou a sua mão, e feriu à rocha duas vezes com a sua vara, e saiu muita água” (v. 11). Repare que o Senhor lhes mandou falar à rocha, mas eles a feriam.

Esta pequena mudança na atitude de Moisés e Arão (ferindo a rocha ao invés de falar), não foi por descuido ou distração. Não é que eles não entenderam que deveriam falar, ao invés de ferir. É porque eles realmente não creram. O Senhor disse logo depois: “Não crentes em Mim” (v. 12). Eles não creram que, apenas falando, o poder de Deus poderia fazer água brotar da rocha. O prejuízo que veio por causa desta incredulidade foi muito grande: “Não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado” (v. 12).

Um pouco de incredulidade, trouxe um prejuízo enorme!


b. O servo do rei – incredulidade diante da provisão de Deus

A situação descrita em II Reis 7 é, em todos os sentidos, calamitosa. A cidade de Samaria foi sitiada pelos sírios e uma grande fome acometeu a cidade (II Rs 6:24-25). Quando, porém, a situação chegou ao auge, deixando a população quase literalmente “morta de fome”, o profeta Eliseu anunciou que no dia seguinte haveria tanta fartura de alimentos, que se venderia “uma medida de farinha por um siclo, e duas medidas de cevada por um siclo, à porta de Samaria” (7:1).

Entretanto, um senhor que servia ao rei de Israel não creu que tão grande abundancia de alimentos poderia se encontrar disponível na cidade em menos de 24 horas. Ele afirmou: “Ainda que o Senhor fizesse janelas no Céu, poder-se-ia fazer isso?” (v. 2) Como resposta por esta incredulidade, Eliseu lhe avisou que ele veria, mas não comeria daquela provisão.
No outro dia, quando a profecia se cumpriu, o rei colocou aquele seu idoso servo à porta da cidade, para controlar o concurso. Mas o povo estava tão faminto que o atropelaram e ele morreu (v. 17).

Um pouco de incredulidade trouxe um prejuízo inigualável para aquele homem!      


c. Zacarias – incredulidade diante da promessa de Deus

O pai do profeta João Batista era sacerdote e um homem piedoso. Enquanto muitos em Israel já não cumpriam com dedicação os mandamentos do Senhor, Zacarias e sua esposa “eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor” (Lc 1:6). Lucas capítulo 1 é a única parte das Escrituras que registra acontecimentos na vida deste servo de Deus. Neste capítulo, aprendemos que sua esposa era estéril e que ambos já eram avançados em idade (v. 7). Também aprendemos aqui que Zacarias orou. Embora não se saiba o conteúdo da sua oração, pelas palavras do anjo podemos deduzir que a oração de Zacarias envolvia filhos (v. 13).   

O anjo anunciou a Zacarias que ele e sua esposa teriam um filho, mas a resposta de Zacarias foi de incredulidade: “Como saberei isto? Pois eu já sou velho, e minha mulher avançada em idade” (v. 18). Podemos saber que estas palavras de Zacarias demonstravam incredulidade por causa daquilo que o anjo falou: “Eis que ficarás mudo, e não poderás falar até ao dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não crestes nas minhas palavras, que a seu tempo se hão de cumprir” (v. 20).

Zacarias teve um grande prejuízo pela sua incredulidade. Ele precisou ficar muitos meses mudo. Mesmo que quisesse falar alguma coisa do que viu e ouviu através do anjo, ou se quisesse conversar com sua esposa sobre os detalhes da gestação, teria que fazer isto por meio de acenos e tabuinhas escritas (vs. 22, 62-63).

Estes três exemplos, o de Moisés e Arão, do servo do rei e o de Zacarias, nos ensinam que a incredulidade causa prejuízos para os próprios incrédulos. As promessas não deixaram de se cumprir, mas eles não puderam crescer na fé.

Repare que Moisés e Arão viram a água sair da rocha, mas por causa da sua incredulidade foram impedidos de entrar e desfrutar da terra prometida (Nm 20:12). Arão morreu no monte Hor, e Moisés, embora tenha visto a terra, não pode entrar nela, e morreu no monte Nebo (Dt 32:49-50). O servo do rei até viu a grande abundancia de provisão que o Senhor mandou, mas não teve tempo de provar ao menos um pouco do alimento que os outros tiveram (II Rs 7:16-20). Zacarias viu o que outros não puderam ver (Lc 1:24), mas durante aqueles meses não pode falar o que outros puderam.

Há muita coisa impressionante na Palavra de Deus. Mas a questão é: como está a nossa fé em relação a tudo o que as Escrituras dizem? Que o Senhor não precise dizer de nós: "Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!" (Lc 24:25)

Portanto, “não sejas incrédulo, mas crente” (Jo 20:27).

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Os querubins

A palavra hebraica cherub ocorre 91 vezes no Velho Testamento, enquanto a palavra grega cheroubim ocorre apenas uma vez no Novo Testamento (Hb 9:5). Desde a primeira menção de querubins nas Escrituras, em Gênesis 3:24, até a sua descrição mais detalhada no livro de Ezequiel, aprendemos muitas e valiosas lições sobre estes seres que vivem tão próximos de Deus. É interessante notar que de todas as ocorrências de querubins nas Escrituras, sete vezes encontramos a afirmação de que “Deus habita entre os querubins”. Três vezes essa expressão é usada de forma figurativa, descrevendo os querubins que estavam sobre a arca da aliança (I Sm 4:4; II Sm 6:2; I Cr 13:6), e quatro vezes se refere a querubins reais, que estão no Céu, no meio dos quais “Deus habita” (II Rs 19:15; Sl 80:1; 99:1; Is 37:16). Além disso, duas vezes são registradas as palavras de Davi, quando afirmou que Deus “subiu sobre um querubim, e voou” (II Sm 22:11; Sl 18:10). Isto confirma a proximidade que os querubins têm da própria presença de Deus. O Senhor está no meio deles.

(...) Quanto à função que os querubins exercem, as Escrituras mostram que eles têm uma ligação direta com a santidade e justiça de Deus. Eles são agentes do trono dispostos a executar o juízo divino sobre os atos pecaminosos dos homens. A primeira menção de querubins está relacionada à expulsão de Adão e Eva do jardim. Querubins foram colocados ao oriente do jardim, bem como uma espada inflamada que girava ao redor (Gn 3:24). Simbolicamente, os querubins estavam também presentes no Tabernáculo, em três lugares diferentes. Sobre isto, William J. Watterson diz:

“Na cortina que formava a porta do átrio e na cortina que formava a porta da tenda, não havia querubins. Eles estavam somente nas cortinas que formavam a própria tenda, no véu que dividia esta tenda, e na arca. Como a tenda era coberta com peles de animais, não seria possível ver os querubins de fora da tenda. Era somente ao se aproximar da arca, que simbolizava a presença de Deus, que os querubins seriam visíveis”.

No jardim do Éden o acesso estava impedido, mantido assim pela presença dos querubins. No Tabernáculo o acesso à presença de Deus também estava impedido, simbolizado pela figura dos querubins no véu interior. A única pessoa que podia, uma vez ao ano, passar por aqueles querubins era o sumo sacerdote, que entrava com sangue em suas mãos (Hb 9:6-8). Isto é uma figura do Senhor Jesus, o Homem que entrou por nós: “Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão” (Hb 4:14). Ao penetrar nos céus o Senhor Jesus não levou um sangue alheio, mas o seu próprio sangue, que tem validade e garantias eternas (Hb 9:11-14). Nenhum querubim poderia impedir a entrada deste Homem. Pelo contrário, os querubins se alegraram por ver que, finalmente, um Homem digno em caráter e perfeito em redenção pagou o preço pelos pecados e comprou para Deus o direito de receber todos os que estiverem no Seu Filho.

Além do véu interior e da tenda, o outro lugar onde os querubins estavam presentes, simbolicamente, no Tabernáculo, era no propiciatório — que era a cobertura da arca da aliança. Em cada uma das extremidades do propiciatório, e formando uma só peça com ele, foram postos dois querubins de ouro (Êx 25:17-22; 37:6-9). As asas dos querubins tocavam umas nas outras, e o rosto de cada um olhava para baixo. Simbolicamente, estes querubins olhavam para a arca, como se estivessem averiguando o seu conteúdo, mas o propiciatório os impedia de enxergar aqueles objetos. Pensando no simbolismo destas coisas, podemos aprender verdades muito preciosas sobre a redenção que há em Cristo.

Os três objetos colocados dentro da arca eram: as tábuas da aliança, uma vasilha de ouro contendo o maná e a vara de Arão que floresceu (Hb 9:4). Cada um destes objetos, de uma forma positiva, nos ensina sobre as provisões espirituais que temos em Cristo. Mas de uma forma negativa estes objetos lembram os atos de pecados do povo, porque foram dados em ocasiões de rebeldia. As duas tábuas da Lei foram dadas num contexto em que o povo estava envolvido em idolatria (Êx 32). Moisés quebrou as primeiras tábuas da Lei e foi necessário lavrar outras duas (Êx 34:1), e estas últimas foram as que ele colocou dentro da Arca. O maná foi dado numa ocasião quando o povo, murmurando, desejou as panelas de carnes que tinham no Egito (Êx 16). A vara que floresceu foi dada depois da rebelião liderada por Coré, Datã e Abirão, que estavam insatisfeitos com a liderança sacerdotal estabelecida por Deus (Nm 16 e 17).

O simbolismo disso tudo é que enquanto os querubins olhavam para dentro da Arca, eles não podiam enxergar os pecados do povo e, consequentemente, não poderiam aplicar nenhum juízo ao povo de Deus. O propiciatório, que é uma figura de Cristo (Rm 3:25; I Jo 2:2; 4:10), ensinava aos querubins que aqueles pecadores que estão em Cristo estão seguros, “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1). Além disso, no dia da expiação, realizado uma vez ao ano, o sumo sacerdote aspergia sangue sobre o propiciatório, no meio dos querubins (Lv 16:14). Com isso, o Senhor estava mostrando aos querubins que o preço pela redenção daqueles que estão em Cristo já foi pago. William J. Watterson diz ainda:

“Contemplando, então, a arca, o propiciatório e os querubins, temos uma figura preciosa da nossa propiciação.

Olhando para o interior da arca, olhamos para dentro de nós mesmos, e vemos nossa carne: ingrata, insubordinada e idólatra! Olhando para os querubins, somos lembrados da santidade de Deus, e imediatamente percebemos o problema: como é que seres pecadores como nós podem se aproximar de um Deus santo, que habita entre os querubins?

A resposta está no propiciatório e no sangue da propiciação. O propiciatório cumpria duas funções; escondia os símbolos do pecado, e expunha o sangue da propiciação. Os querubins, por causa do propiciatório, não viam o conteúdo da arca — viam apenas o sangue.

Assim é uma igreja local. Se olharmos para dentro de nós mesmos, veremos os lembretes do pecado. Mas Deus nos vê no Amado, purificados pelo sangue do Senhor Jesus Cristo. Deus nos vê, hoje, como seremos na eternidade”.

Esta verdade sobre a nossa santificação posicional se torna ainda mais surpreendente quando lembramos que Satanás, o inimigo das nossas almas, era um “querubim, ungido para cobrir ... querubim cobridor” (Ez 28:14, 16). Ele tinha a função de sustentar o trono de Deus, vivia o mais próximo possível da presença de Deus e deveria, como os outros querubins, manter a santidade da habitação de Deus. Seu orgulho, porém, o levou à queda, e depois de perder a sua posição honrada, se tornou um feroz inimigo de Deus e de tudo o que se relaciona a Ele. Dia e noite este inimigo das nossas almas acusa os servos de Deus, mas quão surpreso ele deve ficar toda vez que o sangue de Cristo é apresentado como garantia da segurança eterna do Seu povo. Na mesma publicação citada acima, William J. Watterson continua:

“Imagine Satanás, ‘o acusador de nossos irmãos’ (Ap 12:10), chegando perante Deus, o Deus que habita entre os querubins, e acusando-nos pelos nossos muitos defeitos. Ele, que foi querubim antigamente, talvez lance em rosto daqueles que hoje são querubins da glória, as nossas falhas: ‘Vocês que são querubins, guardiões da santidade de Deus, não enxergam as falhas daquele povo?’ Quase podemos imaginar os querubins olhando para o Senhor, e declarando: ‘Senhor, nós não vemos nada daquilo com que ele acusa os Teus filhos. Nós somente vemos o sangue do Cordeiro, que para sempre os purificou de toda mancha!’”

A pessoa de Cristo e o sangue de Cristo são de um valor tão alto, que nem mesmo as criaturas mais próximas do trono de Deus, os querubins, podem ver algum resquício de pecado naqueles que estão seguros nEle. Esta é uma verdade tão sublime, que o ímpio não consegue entender e Satanás não pode aceitar. Mas nós cremos!


(Extraído do livro “Anjos”. Já disponível!)

sábado, 11 de novembro de 2017

Orações altruístas

Algumas orações nas Escrituras são verdadeiros desafios para todos nós. Orar é o dever de todo crente, mas nem sempre oramos com o “espírito” adequando. Pense, por exemplo, num irmão que precisa orar numa reunião “levantando mãos santas, sem ira nem contenda” (I Tm 2:8). Ele precisa controlar suas palavras e deixar sua raiva de lado para que possa orar por alguém que talvez o ofendeu. Outra situação difícil é quando oramos para que Deus dê para outra pessoa aquilo que nós mesmos não temos. Há alguns exemplos disto na Palavra de Deus, mas quero destacar pelos menos dois, aqui.

·         Abraão – pelo rei (Gn 20:7, 17)
Deus disse ao rei Abimeleque que Abraão era profeta e que oraria por ele. Logo depois Abraão orou e, “sarou Deus a Abimeleque, e à sua mulher, e às suas servas, de maneira que tiveram filhos”. Até àquela altura da sua vida, Abraão não tinha recebido o cumprimento da promessa de que ele e Sara teriam um filho. Entretanto, ele precisou orar para que Deus abençoasse e desse filhos a outros casais. Será que foi fácil para ele orar pela felicidade dos outros e ver sua oração ser atendida, enquanto ele mesmo não tinha filho? 

·          Jó – pelos seus amigos (Jó 42:8-10)
O Senhor falou com os amigos de Jó, dizendo: “Ide ao Meu servo Jó ... e o Meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei”. Pense na situação de Jó. Ele precisou orar para que o Senhor fosse misericordioso com os seus três amigos e lhes favorecesse, enquanto ele mesmo estava numa situação tão deplorável. Será que foi fácil para ele orar pelo bem dos outros enquanto ele mesmo estava em completa miséria?

Certamente não foi fácil para estes dois homens passarem por estas circunstâncias. Enquanto oravam eles precisaram enfrentar a própria carne que, com inveja, desejava receber o que estavam pedindo para os outros. Eles tiveram de aprender a orar de forma altruísta, e deixar o egoísmo de lado enquanto pediam pelo bem dos seus amigos.

Todos nós já passamos por situações assim. É precioso ver que nossas orações pelos outros foram atendidas, e que o Senhor os beneficiou muito. Mas, sendo honestos, não foi fácil passar por isto. Como nos sentimos quando, orando, vemos que o Senhor deu a outros o que nós mesmos não temos ainda?

Entre tantos outros exemplos pessoais, lembro de duas situações que me ensinaram muito, enquanto precisei suportá-las. Quando eu era solteiro, a maioria dos meus amigos também era, e nós sempre conversávamos sobre a seriedade do casamento. Preocupado com eles, e eles comigo, orei muitas vezes para que o Senhor lhes desse um bom casamento, impedindo que errassem nesta decisão. O que aconteceu foi surpreendente. Cada um deles começou a casar e ... eu fiquei. Quando eu me casei, aos 28 anos, muitos deles já estavam casados e com filhos. Confesso que foi difícil passar por isso. Outra situação difícil pela qual passei foi depois de casado. Minha esposa e eu sempre desejamos ter uma grande família, e desde as primeiras semanas de casados já estávamos orando para que o Senhor nos desse filhos. Como sabíamos que outros casais também desejavam, começamos a orar por eles. E o que aconteceu? Outros casais começaram a ter filhos, e nós não. Novamente não foi fácil passar por isto, mas precisávamos aprender a lição.

Repare, entretanto, que nestes eventos que envolveram Abraão e Jó, a situação não permaneceu a mesma. Logo depois que Abraão orou, e Abimeleque e outros casais tiveram filhos, o próprio Abraão e Sara também tiveram o deles (compare Gn 20:17-18 com 21:1-3). De uma forma ainda mais impressionante, note o que é dito sobre Jó: “E o Senhor virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos” (Jó 42:10). Enquanto ele orava pelos seus amigos, o Senhor mudou a sua situação.

Estes detalhes da vida de Abraão e Jó nos ensinam que alguma coisa se torna diferente quando oramos pelo bem dos outros. Talvez não mude as nossas circunstâncias, mas pode mudar a nossa atitude frente a elas. Ao orar pelos meus amigos e vê-los seguindo de mãos dadas para a vida conjugal, consegui ficar feliz por eles, sabendo que tinham sido impedidos de errar, e isto me livrou de ficar amargurado. Ao orar por outros casais e vê-los abraçar seus lindos filhos, ajudou a minha esposa e a mim a nos alegrar pela felicidade deles, e isto nos impediu de nos sentirmos frustrados. 
Alguns anos depois, me casei, e o Senhor me concedeu alguém que jamais imaginei que poderia chamar de esposa. Poucos anos depois tivemos filhos, e o Senhor nos concedeu dois (por enquanto) como jamais achei que teria. 

Nunca é fácil passar por uma situação em que devemos orar para que Deus dê a outros o que nós mesmos não temos, mas aprendi que nunca devemos deixar de orar. Alguma hora, para nossa surpresa ou surpresa dos outros, alguma coisa se tornará diferente!